E
lá fui ao sótão da minha infância, muitas recordações, umas já vagas outras bem
vivas, como esta:
O
meu falecido paizinho governava uma nau de sete mastros a vapor, o grande Vasco
da Gama lá ia deitado no seu camarote, acossado por uma terrível comichão no pé
direito e como remédio levava um macaco birmanês que lho coçava ao mesmo tempo
que lhe ia roendo as unhas dos pés, enfim dois em um.
Íamos
no mar da china que ia da Gronelândia ao golfo da Guiné, quando somos abalroados
e assaltados pelo pirata Sandokam, que logo ali cortou nove cabeças aos nossos.
O meu falecido paizinho vai-se ao pirata e sem lhe dar tréguas logo o venceu
num combate de três rondes, amarra-o e deita-o aos tubarões.
O
grande Vasco da Gama que assistiu ao combate por videoconferência dada a sua
incapacidade, deu como recompensa este baú em madeira mui rara e preciosa cheia
de boas moedas de oiro ao meu paizinho que por sua vês as trocou no porto de
Amesterdão por trinta cumcubinas, coisa que nunca percebi, pois tínhamos mulher
a dias, cozinheira e duas amas secas, para que queria ele mais trinta mulheres
!!!, lá se foi e nunca me explicou.
Dois
meses depois trocava-as por dois camelos, cinco dromedários e um Ferrari movido
a cuspo de lesma, e lá deixámos o Vasco da Gama para irmos com o grande Marco
Pólo á conquista do Pólo Sul.
























